O que efetivamente se gasta
Um litígio consome quatro coisas, e é útil enxergá-las separadamente antes de escolher esse caminho.
Tempo. Um acordo se resolve em semanas. Uma disputa sobre bens ou convivência raramente se resolve em menos de alguns anos, considerando o percurso completo e a possibilidade de a decisão ser revista em instância superior.
Dinheiro. Custas, honorários e, muitas vezes, o custo de avaliar bens ou empresas. Em disputas patrimoniais, não é raro que o valor gasto para discutir uma diferença se aproxime da própria diferença discutida.
Controle. É a moeda mais cara e a menos percebida. Ao entrar em litígio, os dois trocam a possibilidade de desenhar a própria solução pela chance de vencer — e assumem, junto, a chance de perder.
Desgaste. Especialmente quando há filhos. O processo prolonga a fase de conflito e mantém os dois em posições opostas durante anos, ainda que precisem seguir convivendo como pais por muito mais tempo do que qualquer processo dura.
Nenhuma dessas moedas torna o litígio errado. Há situações em que ele é a única saída digna: quando o outro lado esconde patrimônio, quando não há qualquer disposição para negociar, quando há desequilíbrio de poder entre os dois, quando a segurança de alguém está em jogo. Nessas hipóteses, insistir no acordo seria apenas outro nome para ceder. O ponto não é evitar o litígio a todo custo — é escolhê-lo sabendo o preço.